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José Alberte Corral fala sobre Ocidente

In Uncategorized on Xaneiro 9, 2018 at 9:10 pm

Eduardo Castro Bal

Ocidente de Alberte Momám

por J. Alberte Corral Iglesias

Para mim que nom som critico literário, nem tenho formaçom especifica sobre os diversos eidos da literatura, escrever sobre “Ocidente”, o último livro de relatos de Alberte Momám nom é umha tarefa doada, e muito mais quando só som leitor da sua obra poética. A Momám devemos-lhe vários poemários dumha intensidade que subjuga ao leitor: Road Movie, As mil horas, A chuva que derrete a mármore até chegar ao cadáver, etc… Nesta nova entrega literária, na que os relatos rematam com um pequeno poemário, Momám, apresenta-se como um ser conformado por umha poética tremendamente pessoal.

Bem sabemos que numha obra literária nada é casual, o escritor atribui a cada umha das palavras umha funçom mágica, sedutora, para com as mesmas nos interrogar sobre as razons do que nos conta. E de agradecer ao narrador o seu estilo fluente e directo à retina do leitor, que o conduz além da imediatez do texto; porque para Momám expressar as circunstancias da condiçom humana nom é um exercício estilístico mais, mas si umha ética solapada na palavra. A sua escrita só pode ser o resultado dumha estudada depuraçom lingüística que decorre tempos e espaços invocadores nos quais interroga. Os textos de “Ocidente” tornam-se mais poderosos à medida que as personagens reflexionam com as suas contradiçons inerentes a toda existência que pretenda ser livre. Através da narrativa dos relatos percebemos a interrogaçom sobre as condutas humanas que o autor fai sua e quere também fazer-nos cúmplices da mesma.

Deparemos no relato de “Ocidente” intitulado: Não há ninguém perto de si”, escrevido com um feitio plástico e ricaz, Nele Momám elabora umha estória inesperada onde tempos e espaços estám misturados num discurso para nos mostrar aquilo que é agachado ainda que padecido. A linguagem está determinada por umha rítmica directa e sedutora. A personagem central encarnada numha mulher, Ameline, marca e vértebra todo o desenvolvimento dos acontecimentos narrados desde umha sexualidade livre até nos apresentar a barbaridade da guerra.

A linguagem literária de Momám é poderosa pois nom se serve da mesma para agochar as cousas senom para nos apresentar espidas de toda retorica. Através dos acontecimentos vividos polas personagens revela-nos aquilo que tentam vender como um sucesso mais exposto em dous segundos na ecrá dum noticiário de televisom, resultando ser só umha justificaçom para nos vender publicidade. Identifico-me com o jeito de contar de Alberte Momám, emociona-me. A escrita dos textos está cheia de presente e passado, desvelando que talvez o homem nom seja outra cousa que o grande mono assassino.

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Ocidente

In Uncategorized on Novembro 14, 2017 at 8:59 am

cubierta ocidente capa

Ocidente

Alberte Momán Noval

Círculo Rojo. 2017

 

Atar é submeter.

 

Manter preso um animal com a pele de outro ani­mal.

 

A humilhação como a máxima expressão do domí­nio.

 

Submeter os escravos com a pele de outros escravos.

 

Aprendemos em crianças a falar a língua do homem branco, aquela do ocidente que se tornou universal, porque o ocidente só conhece uma língua.

 

Pego no copo, antes do primeiro sorvo olho ao redor e só vejo ocidente.

 

Alberte Momán Noval. Ferrol. 1976

Para quem tem nado nela, Ferrol é mais do que uma cidade. Para mim tem sido um recurso literário para a sobreviver. É por isso que sempre volto ao mesmo livro, descrevendo um Ferrol que não é mais aquela cidade, senão uma forma de falar do atual Ocidente.

 

 

Tripas

In libros,Uncategorized on Novembro 3, 2017 at 3:43 pm
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Tripas
Alberte Momán Noval (Ferrol. 1976)
Belagua Ediciones. 2017
Edición bilingüe Gallego/Español

Facer visibles as tripas, todo o que de forma natural permanece agochado, non é fácil, nin sequera conveniente. Transparentar os tecidos que recobren o oculto significa evitar as precaucións inherentes ao instinto de supervivencia, espirse no máis cru inverno dunha periferia universal e fragmentada. Deixar constancia da dor, da mácula coa que o sangue escurece as superficies é, en esencia, morrer para deixar paso ao mito, ao que nunca foi pero que permanece.

Hacer visibles las tripas, todo lo que de forma natural permanece escondido, no es fácil, ni siquiera conveniente. Transparentar los tejidos que recubren lo oculto significa evitar las precauciones inherentes al instinto de supervivencia, desnudarse en el más crudo invierno de una periferia universal y fragmentada. Dejar constancia del dolor, de la mácula con la que la sangre oscurece las superficies es, en esencia, morir para dejar paso al mito, a lo que nunca fue pero que permanece.